Na carta de foral concedida a Castelo Rodrigo, no ano de 1209, vêm referenciadas as actividades artesanais praticadas no Concelho. Esta legislação era bastante severa, principalmente com aquelas de que dependia o esforço militar da defesa do território.
Como actividade de apoio à agricultura, rara seria a freguesia que não tivesse um ferreiro e um carpinteiro. Paralelamente a estes artesãos, outros havia tendo em vista o apoio às necessidades básicas, destacando-se os sapateiros, tecelões, latoeiros, cesteiros, forneiros e moleiros, entre outros.
A industrialização tornou o artesanato obsoleto e dispendioso, levando-o a uma gradual extinção. No concelho ainda se encontram algumas actividades artesanais. A maior parte destes objectos são utilizados apenas como objectos de decoração, e têm uma produção reduzida, alguns deles apenas como promoção do Concelho e para venda em turismo.
Passemos em revista algumas delas:
Cadeiras e Vassouras
São poucos os artesãos que se dedicam a este trabalho. Para que os assentos das cadeiras fiquem bonitos e duradouros, usa-se a tábua ou o junco.
Os materiais utilizado neste tipo de artesanato, são cortados nas ribeiras e estendidos no chão, para secar. Antes de serem trabalhados, os molhos são regados para ficarem maleáveis.
Com o junco que cresce junto dos rios e ribeiras do Concelho, fazem-se as vassouras que durante o fustigante Inverno são utilizadas nas lareiras para manter a sua limpeza.
Cestaria
Dos muitos artesãos que se dedicavam a este ofício, apenas um ainda se mantém com fiel dedicação a esta actividade. Para empalhar garrafões, utiliza a verga de salgueiro, o vime e a «verga de cavaca», retirada do pau do castanheiro. Com a liaça do vime faz os «tentos» que aguentarão a verga. Colocando vários «tentos» em redor do gargalo, o garrafão é totalmente envolvido com o miolo. O fundo é feito à parte, com verga de salgueiro. Depois de colocado no seu lugar, é solidamente amarrado com os «tentos».
O trabalho é iniciado com a colocação de um pau grosso no lugar da asa. No final, aquele é retirado e a asa, previamente feita com vime, é entrelaçada e colocada no garrafão. Durante o trabalho, o miolo deve estar sempre mergulhado num caldeiro com água, para evitar que seque e se quebre.
Latoaria
A Latoaria é um oficio com tradição neste Concelho, a matéria prima utilizada é a chapa zincada, o metal amarelo e a folha-de-flandres. Com o auxílio de um compasso de bicos ou com o «riscador», os elementos da peça são riscados na chapa. Depois, cortam-se com a ajuda de uma tesoura apropriada. Para adquirirem a forma desejada, as peças maiores são batidas sobre a bigorna que está assente num cepo.
Aperfeiçoados, os elementos são soldados entre si. No final, retiram-se os resíduos da solda com a raspadeira. Efectuam-se, então, os acabamentos para a peça ficar perfeita.
Olaria
Existe um único oleiro do Concelho, que utiliza esta arte de trabalhar o barro, sentado à mesa faz uma bola com um pedaço de barro e coloca-o no centro do «tampo da roda», espalmando-a e dando-lhe uma forma côncava. Movimentando a roda com o pé, mete os dedos dentro da bola, amparando-a com a outra mão, pelo lado de fora.
Por acção do movimento da roda e da pressão exercida pelos dedos do oleiro, o barro sobe, ao mesmo tempo que é moldado. Quando o objecto atinge a forma desejada, é retirado da roda, separando-o daquela com a ajuda de um fio.
As peças são colocadas ao sol para secarem. Depois de seca, a louça é transportada para o forno. Quando o barro apresentar uma cor avermelhada, é sinal e que a cozedura chegou ao fim.
Ferreiro
Os ferreiros ocuparam um lugar importante na vida económica da região. Eles ajudavam os lavradores no conserto das alfaias agrícolas e dos meios de transporte de tracção animal, assim como na feitura de portões e demais utensílios caseiros.
Logo de manhã cedo, o som do malho a bater na bigorna acordava a vizinhança. Dentro da oficina, um homem enfarruscado pelo pó do carvão, e iluminado pelas chamas ondulantes que se libertavam da forja, trabalhava o ferro.
Aceso o lume, colocava um espeto no meio das brasas, para aquele apanhar melhor «respiração». O negro carvão adquiria um tom avermelhado. As brasas, alimentadas pelo grande fole que o ferreiro manobrava com a mão livre, eram aconchegadas com o «ranhadeiro».
Atingida a temperatura ideal, as peças eram metidas no meio do braseiro incandescente. Quando pequenas estrelas brancas se desprendiam das brasas, era sinal de que o ferro estava pronto para a soldadura. Juntavam-se as peças, e o ferro, ao derreter, ligava-as solidamente. De seguida, o ferreiro segurava-as com a tenaz e colocava-as em cima do cavalete. Então, com um malho, batia-as, desprendendo-se uma chuva de faúlhas espalhando-se em todas as direcções.
Para que a peça soldada ficasse mais resistente, era sujeita de novo, ao intenso fogo da forja, a fim de «caldear». Depois, metia-a numa pia com água, arrefecendo e ganhando «têmpera».
Miniaturas em madeira
Quantos de nós, em criança, não nos distraímos com um canivete e um pedaço de madeira, ou de cortiça, tentando dar forma ao material que tínhamos entre mãos? Uns mais dotados do que outros, lá conseguíamos criar miniaturas de objectos do quotidiano, ou do nosso imaginário.
No concelho de Figueira de Castelo Rodrigo há três artesãos que se dedicam, nos seus tempos livres a esta actividade, criando belas peças que nos encantam. Ficamos com a certeza de que as mãos são o berço da imaginação e os dedos obreiros do impulso da criatividade, ao admirarmos estes belos trabalhos. Recolhendo raízes de giestas e galhos de zimbro, com um simples canivete, serrote e verruma, dão-se vida aos paus, transformando-os em réplicas de aves e outros animais.
Tecelagem
São poucas as tecedeiras que se mantém no activo no Concelho na arte de tecer peças de vestuário.
A tecelagem é a fase final de um ciclo que começa com a tosquia e termina na cardagem da lã. Desta sai um fio grosseiro para fazer as roupas quentes e os agasalhos de Inverno. Misturando na urdideira a lã e o algodão, surge a matéria-prima para a confecção de cobertores e mantas, sendo o tear a peça fundamental deste trabalho.