As festas e romarias já não têm o entusiasmo de antigamente, mas mesmo assim neste concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, essencialmente durante o mês de Agosto ainda se sente o aroma dos arraiais, a voz daquele cantor conhecido dos nossos emigrantes que compram os CD, porque também a música serve para matar saudades da terra natal.
Algumas festas, como o Entrudo e os Santos Populares, perderam muita da força de antigamente, mas outras conservam as antigas tradições.
Durante o tempo Quaresmal, as procissões percorrem as ruas das aldeias. De três em três anos fazem-se os Passos, o préstito percorre as ruas da localidade. Uma rapariga, simbolizando a «Verónica», vestida de preto, rosto tapado por um véu negro, revive esse quadro da Via-Sacra. É acompanhada por três jovens, igualmente vestidas de luto, representando as «marias», que são em número de três. Em locais previamente estabelecidos, onde os populares levantam singelos altares ornamentados imagens religiosas que lembram a Paixão de Cristo, a procissão pára e a, «Verónica» canta, desce o Santo Sudário.
Mas o tempo triste da Quaresma, culmina na festa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Símbolo da Ressurreição, ela associa-se à Primavera florida na certeza da vitória da Vida sobre a Morte.
O Natal é, talvez, a festa litúrgica com maior significado humano no Concelho. A mensagem de Amor, trazido pelo Deus Menino ao Mundo, é sentida na alegria com que se esperam ansiosamente os familiares e se revêem os amigos.
É a noite da Consoada o ponto alto do Natal, porque a família está reunida.
Uma alta pira arde no centro da praça ou junto à igreja. A queima do «tóro» de Natal é uma tradição antiga. Ela tinha por finalidade proporcionar aos, mais pobres e desprotegidos a oportunidade de, à roda da fogueira, aquecerem os corpos enregelados pelo frio.
Dos grandes troncos empilhados elevam-se altas labaredas, iluminando tudo em redor. O calor é intenso e as pessoas fazem uma larga roda à volta do «tóro de Natal». Algum, mais afoito, ergue uma comprida vara e, batendo com ela nos troncos em brasa, faz erguer, no negrume da noite, miríades de faúlhas elevando-se nos ares, quais estrelas que se encaminham para o céu, «carda o tóro e viva o Nóro», gritam as pessoas que, em amena cavaqueira, observam o feito.
Um homem, com um garrafão de vinho debaixo do braço, dá de beber a quem o solicitar. A noite é fria e a «boa pinga» ajuda a aquecer!...
Estas são as festividades mais importantes do ano, mas para além destas, as freguesias têm outras. Na sua maioria são realizadas no Verão, em honra do Padroeiro. É interessante ver o «ramo» organizados pelos mordomos, onde são arrematadas as oferendas do povo, na maioria, produtos que a terra dá, peças de fumeiro (se o «ramo» tem lugar no Inverno), bolos e bebidas. A receita ajuda nas despesas e obras da Paróquia.