No concelho de Figueira de Castelo Rodrigo sempre se tratou e cultivou a terra, não havia campo por mais distante da Freguesia que ele fosse que não desse cereal, não havia as modernas máquinas que há hoje para facilitar o trabalho, mas mesmo assim os figueirenses foram sempre pessoas que nunca cruzaram os braços ao trabalho. Era da agricultura que vinha o sustento de muitas famílias, assim como acontece com a pecuária, sobressaindo nesta, a pastorícia.
Mas, com o passar dos tempos a modernização também chegou à economia figueirense. Figueira de Castelo Rodrigo tem agora um moderno Parque Industrial que oferece uma posição estratégica para laborar e fazer escoar os produtos. A proximidade com Vilar Formoso e com uma das principais portas de entrada com Espanha e com as auto-estradas A25 e A23, que rapidamente nos ligam a todo o país, fazem com que este lugar comece a ser procurado por outros empreendedores. Recentemente a Câmara Municipal levou a cabo a empreitada de construção do “Ninho de Empresas do Conhecimento”, nas antigas casas dos magistrados. Com esta infra-estrutura pretende este Município incentivar os jovens investidores das áreas do conhecimento e novas tecnologias da informação a fixarem-se no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, é uma verdadeira “janela de oportunidade” para o pequeno investimento, num momento em que o mercado está em crescimento.
A nível de indústrias, predomina a transformação de granitos, a vitivinicultura, a produção de azeite e amêndoa e os lacticínios. A estas actividades junta-se também o artesanato como suporte às necessidades básicas da população, com os seus mais variados misteres.
Agricultura
A agricultura está a passar por uma fase crítica, devido à escassez de mão-de-obra. O solo, duro e pedregoso, exige um esforço árduo e pouco compensador, fez com que grande parte da população se visse obrigada a procurar na emigração, e nos grandes centros urbanos, a solução para a melhoria das suas condições de vida.
A propriedade é do tipo de minifúndio, predominando a policultura. É uma agricultura de subsistência e pouco lucrativa. O tipo tradicional, praticava-se à base do trabalho humano, ajudado pelos animais. O arado de pau, com relha de ferro e a charrua eram os mais utilizados. Actualmente, são os tractoristas quem preparam e executam quase todas as tarefas básicas: cavar, lavrar e gradar.
Nas terras mais fundas, semeiam-se os «carrapatos» e o milho. Perto das povoações predominam as hortas. Com terra de boa qualidade, bem estrumada e convenientemente regada com o auxílio de engenhos de vários tipos, onde sobressai o uso da «picota» ou «burro», aí se cultivam as batatas, os feijões, as abóboras e as cebolas, entre outros. Os campos mais afastados, muitos deles já ao abandono, eram destinados ao cultivo do trigo e do centeio. As vinhas e os olivais, para além das árvores de fruto, completam o espólio económico dos lavradores locais.
Na época das sementeiras, depois do arado revolver a terra para a tornar mais fofa e arrancar a erva, dão-se umas voltas com a grade para a alisar e desfazer os torrões. No final, faz-se uma nova passagem com o arado para que as sementes fiquem bem envolvidas na terra. As boas condições climatéricas encarregam-se de as desenvolver, desabrochar e proporcionar ao agricultor o sustento da família e a recompensa do seu árduo trabalho.
Em muitas freguesias é comum o nome de «eiras» para designar o lugar onde, ainda não há muitos anos, se malhava e trilhava o centeio e o trigo. Esse trabalho, actualmente, é feito por modernas máquinas debulhadoras e enfardadeiras.
Pastorícia
No Verão, os pastores dão grandes caminhadas com o rebanho à procura das pastagens que rareiam. Manhã cedo, quando o Sol se ergue no horizonte, já o redil está vazio e as ovelhas pastam a erva seca que encontra nos prados. Nas horas de maior calor, os animais aproveitam para «acarrar» (descansar), ao abrigo de qualquer sombra protectora. Ao fim da tarde, o rebanho aproveita para uma nova refeição. Dispersando-se pelos prados, sob o olhar vigilante dos cães e do pastor, dirige-se lentamente, para a aldeia, levantando uma nuvem de poeira à sua passagem.
Do «sarrão», feito com pele de chibo ou borrego, o pastor retira a merenda. Aí guarda os utensílios necessários para socorrer os seus animais nalguma aflição.
Das chaminés da aldeia, o fumo eleva-se e dilui-se na penumbra que vai envolvendo o ambiente. O Sol, qual bola de fogo, tinge o firmamento de tonalidades brilhantes sobressaindo os cambiantes dourados e rosáceos.
Os chocalhos tilintam, os cães ladram, pastor assobia, os grilos e os raios enchem noite que se avizinha de sons melodiosos.
O rebanho entra na povoação. No bardo, separam-se para o aprisco as ovelhas que serão ordenhadas. Sentado num banco, com o cântaro entre as pernas, o pastor ajeita a ovelha e inicia o trabalho da ordenha. O leite jorra para a vasilha. Nos meses de Abril e Maio, este leite é aproveitado para se fazerem o queijo delicioso desta região. É, também, a altura de se aliviarem as ovelhas da lã que, durante o Inverno, as protegeu do intenso frio. Vários homens empunhando grandes tesouras de folhas largas, dirigem-se para os animais. Deitando-os no chão, atam-lhes as patas e começam a tosquiá-los pelas pernas, passando de seguida para o lombo e terminando na barriga.
A lã cai em grandes tiras ao lado do animal que, preso pelos possantes braços do tosquiador estrebucha em vão. Colocando um pé sobre a lã, o «atador» levanta-a e torce-a em volta do braço, formando os «novelos». Estes serão guardados na tulha até ao dia em que o comprador os venha procurar.
Industrias
É, principalmente, na transformação de granitos que está a base de sustento de muitas famílias figueirenses, bem como na construção civil, mas há outras actividades paralelas a estas como é o caso da industria vitivinícola, que produz os saborosos e afamados vinhos da região e dos lacticínios. A dinamização da produção de produtos regionais está tomar um novo fôlego, o aumento de turistas na região faz com que aumente também a procura de produtos regionais para adquirir.